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Gilvan de Oliveira Violão
Caipira
A música caipira sempre mereceu e
vai continuar merecendo muita atenção num Brasil que, pelo menos,
deveria ser mais sertanejo e farto. A vida do campo tem cultura
própria e muito rica, mas, às vezes, pouco explorada pelos grandes
centros urbanos, por onde circula o maior número de informações.
O violonista, compositor e arranjador mineiro Gilvan de Oliveira
traz em sua música e, especificamente neste CD, "Violão
Caipira", muito das melodias que nasceram no coração de um
Brasil rural. Seja com peças mais evidentemente ligadas a esse
universo, como Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, ou
recriando uma possível visão sertaneja aparente em canções de
compositores como Tom Jobim e Villa-Lobos. O CD começa com Canção
da lua nova, de Rubinho do Vale e João Evangelista Rodrigues,
seguida de Beira mar novo, canção colhida no Vale do
Jequitinhonha, passada por Leonida da Rosa Conceição. Essa segunda
faixa ganha a parceria do grande percussionista, também mineiro,
Serginho Silva, que aparece em outras canções do disco. A terceira
canção é uma das duas composições próprias de Gilvan. Tirana
da partida é uma bonita toada que segue em compassos dolentes,
lembrando um bonito final de tarde no campo, por exemplo. O
clássico No rancho fundo, de Ary Barroso e Lamartine Babo,
não poderia ficar de fora. É a quarta canção. A seguir, vem A
correnteza, de Tom Jobim e Luis Bonfá. Gilvan extrai com
maestria a visão sertaneja dos compositores cariocas. A segunda
canção de autoria própria de Gilvan, neste CD, é Ave Maria
Caipira. Bela oração instrumental caipira que abençoa de vez
este trabalho. É também uma ótima oportunidade para constatar a
virtuosidade musical do violonista. Dos conterrâneos Tavinho Moura
e Milton Nascimento, Noites do sertão é a sétima faixa,
seguida de Índia, de Guerrero e Flores. Esta lendária
guarânia ganha um extraordinário tratamento erudito nas mãos de
Gilvan. O violonista ainda recria, com sabedoria, Tristeza do
Jeca, de Angelino de Oliveira. Sempre um clássico. A percussão
de Serginho Silva dialoga mais uma vez com o violão de Gilvan em Canto
do povo de um lugar, de Caetano Veloso. Para quem tem ou não os
versos dessa canção na cabeça, a interpretação de Gilvan é
especial. A décima primeira música é uma peça chamada O
mestre e o violeiro, composta de Prelúdio nº 1, de
Villa-Lobos, com uma adaptação livre do violonista, e Viola fora
de moda, de Edu Lobo e Capinan. Prova mais que perfeita da
erudição de Gilvan. Romaria, de Renato Teixeira, não
poderia faltar e aí está. Um deleite. O CD encerra com Desenredo,
de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. A surpresa fica por conta de
Gilvan terminar o disco entoando trecho desta canção, nos minutos
finais do CD. Gilvan de Oliveira é um dos grandes instrumentistas
brasileiros. De formação clássica, Gilvan nasceu em Itaú de
Minas, no sul do Estado. É também professor e dirigiu a Música de
Minas Escola Livre, criada por Milton Nascimento e Wagner Tiso. Já
tocou com Milton, Fernando Brant, Flávio Venturini, Titane, Pena
Branca e Xavantinho, entre outros. Em 2001, ganhou o Grammy Latino
junto com Pena Branca. É músico de mão cheia. Sua interpretação
é única e vale a pena ser exaltada. Lançamento Kuarup. www.kuarup.com.br
Tel. (21) 2220-1017. (Sérgio
Fogaça)
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