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Elton Medeiros Aurora
de Paz
Elton Medeiros é um dos mais
importantes compositores brasileiros. Com mais de 50 anos de
carreira, possui cerca de 120 gravações registradas por intérpretes importantes, além de parcerias feitas com
personalidades como Cartola, Hermínio Bello de Carvalho, Zé Kéti,
Aldir Blanc e Paulinho da Viola, o mais constante de todos. É de um
tempo em que a escola pública ensinava música e isso certamente
influenciou positivamente na formação musical desse carioca da
gema. Tem quatro discos solo, sendo dois em vinil e dois CDs. Com
"Aurora de Paz", este último, Elton Medeiros venceu o
Prêmio Shell, de 2001, como Personalidade Musical. E bota
personalidade nisso. Elton é merecidamente respeitado e admirado
por quem toma contato com sua obra ou com a própria pessoa. O CD
começa com a mensagem mais que positiva e oportuna de Aurora de
paz, de Elton e Cacaso. Com esperança e clareza, os autores
lembram que tem luz vindo, mesmo que (às vezes pareça que não) os
tempos pareçam difíceis, ou "que o amor que a gente perde /
nasceu para se perder", mas "prepare seu coração / que
essa aurora é de paz". No coro, vozes que estão sempre
presentes nos sambas cariocas, como as de Cristina Buarque, Teresa
Cristina, Bee, Regina Werneck, Ari Bispo e Copacabana. Depois vem Não
te esqueças de mim, de Elton em parceria com Délcio Carvalho,
que ficou mais conhecido quando compôs Sonho meu, com Dona
Ivone Lara, em 1978. Segue com Psiquiatra, um samba dos mais
bem humorados que Elton compôs junto com Zé Kéti. A quarta
canção é Recato, de Elton Medeiros e Salgado Maranhão. As
notas longas da música ficaram perfeitas e belas na inspirada
interpretação de Zezé Gonzaga. Esplendorosa. Depois vem mais boa
companhia em Azulzinho. Tema instrumental feito em parceria
com Afonso Machado, bandolinista do grupo Galo Preto, que interpreta
a faixa. Serve também para as pessoas concentrarem melhor no
excelente melodista Elton Medeiros. Quase a mesma formação de coro
da primeira faixa vem anunciando Samba do meu drama, de Elton
e Paulinho da Viola, que também canta na faixa. Um verdadeiro diálogo dos mestres com o próprio samba. Depois, mais uma obra-prima. Estrela é canção dessas de emocionar pela sua
criação e articulação poética. Feita em parceria com Eduardo
Gudin e Roberto Riberti, é um marco do gênero. A dor de cotovelo
em formato de samba se mostra em Conversa com a solidão, de
Elton e Paulo César Pinheiro. Belo sax soprano de Marcelo
Bernardes. A nona faixa é Dançando na chuva, feita em
parceria com Paulo Vanzolini, seguida de Valsa breve, linda,
feita com Regina Werneck e com bonita interpretação de seus dois
autores. Segue com mais um tema instrumental, desta vez só de Elton.
A música é Serenata para trombone, aqui interpretada por
Roberto Marques, lembrando que o piano dessa e também de outras
faixas é de Cristóvão Bastos. A seguir vem uma merecida
regravação de Pra fugir da saudade, agora na voz de Elton,
já que antes havia sido gravado por Paulinho da Viola em seu LP
"A Toda Hora Rola uma Estória", de 1982. A música é dos
dois. A penúltima canção é Sambista mais novo, de Elton e
Clóvis Beznos, seguida da derradeira do disco, Culpa do santo,
de Elton com o grande Hermínio Bello de Carvalho, que traz os
versos: "Foi culpa do meu santo / eu ter saído assim / com um
pé na sarjeta / e outro no botequim". Samba, samba, samba!
Lançamento Rob Digital. www.robdigital.com.br
- Tel.: (21) 2539-1248. (Sérgio
Fogaça)
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