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> Elizeth Cardoso Faxineira
das Canções
Estrela das
mais cintilantes na constelação infinita das cantoras brasileiras,
Elizeth Cardoso é referência unânime. A Divina, como bem outorgou
Haroldo Costa, encantou e encanta uma legião de fãs e admiradores.
Encabeçando a lista, podemos colocar o compositor, poeta e produtor
desta e outras obras de arte, Hermínio Bello de Carvalho. Sua
excelência da música brasileira, Hermínio, foi fiel escudeiro da
cantora em todos os momentos. Produziu 13 discos da intérprete.
Então, ninguém melhor do que ele para dirigir esse magnífico
trabalho. A caixa "Faxineira das Canções" contém quatro
CDs. Dois que já haviam sido editados nesse formato, "Ary
Amoroso" e "Todo o Sentimento", e os inéditos em CD
"Elizeth Cardoso/Zimbo Trio/Jacob do Bandolim/Época de
Ouro" e "Luz e Esplendor". Este projeto passa longe
daquelas antologias desconexas que desrespeitam o trabalho
conceitual de cada obra. Pelo contrário, os CDs foram reeditados
com o mais absoluto respeito e capricho. A caixa envolve os quatro
CDs muito bem tratados cada um deles, e um encarte com textos
informativos e sentimentais de Hermínio Bello de Carvalho. E mais:
num dos CDs, "Luz e Esplendor", foram incorporadas
faixas-bônus com um emocionado tributo a Baden Powell, gravado
durante um programa de TV com belas canções do violonista. Em
ordem cronológica dos discos, vamos começar com "Elizeth
Cardoso/ Zimbo Trio/ Jacob do Bandolim/ Época de Ouro gravado ao
vivo no teatro João Caetano", em 1968. Este é um álbum
duplo de quase 40 canções. Além da habilidade
inconteste dos músicos extraordinários que a estão acompanhando,
o repertório é um verdadeiro deleite. De Ponteio, de Edu
Lobo e Capinan, e Carolina, de Chico Buarque, os então
novatos do cancioneiro brasileiro, aos grandes clássicos dos sempre
consagrados Pixinguinha e João de Barro, com Carinhoso, e Tom
Jobim e Vinicius de Moraes, com Canção do amor demais, por
exemplo. Aliás, vale lembrar que em 1958 Elizeth gravou um disco
exatamente com o título dessa última canção citada, com músicas
dos dois autores e o violão de João Gilberto acompanhando-a nas
faixas Chega de saudade e Outra vez. Nascia aí o
embrião da bossa nova, como bem lembra Hermínio no encarte do
trabalho. O outro CD da caixa é "Luz e Esplendor", justamente o CD que traz a faixa título deste projeto. Faxineira
das canções, segunda música do disco, foi composta por Joyce,
especialmente para a Divina. A produção, claro, é de Hermínio e
conta com as participações de Maria Bethânia, Alcione, Nana
Caymmi e Cauby Peixoto já na primeira faixa. Em outras músicas o
CD traz ainda as participações de Dona Ivone Lara, Paulinho da
Viola, Sérgio Carvalho de Almeida e Joyce, na canção de sua
autoria. Os arranjos são de outros craques como Gilson Peranzzetta,
Rildo Hora, Maurício Carrilho e Rafael Rabello. Depois da homenagem
merecida, o CD segue sambando com Operário padrão, de
César Brunetti. São onze faixas com canções de Baden Powell e
Paulo César Pinheiro, Gereba e Capinan, Jorge Aragão e Celso
Fonseca, entre outros. Ainda no mesmo CD estão as já
citadas faixas-bônus com o acompanhamento de Baden em mais sete
canções, entre elas, Deixa, de Baden e Vinícius. O projeto
conta ainda com os dois últimos registros em disco de Elizeth,
feitos em 1989. "Ary Amoroso", com a intérprete moldando
nove canções de seu admirador confesso, Ary Barroso, e "Todo
o Sentimento", que, com exceção de uma música, Consolação,
de Baden e Vinicius, foi gravado em estúdio em apenas um dia, 23 de
setembro de 1989. "Todo o Sentimento", com a voz da
intérprete sendo acompanhada pelo violão de Rafael Rabello,
começa com a emenda de 3 canções: Faxineira das canções,
de Joyce, Camarim, de Cartola e Hermínio Bello de Carvalho, e
Refém da solidão, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.
O CD segue com um emocionante Chico Buarque em parceria com
Cristóvão Bastos. Todo o sentimento, merecidamente faixa
título do disco, é obra-prima eternizada na voz de Elizeth e
cordas de Rafael. Entre outras canções, o CD traz Modinha,
de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Doce de coco, de Jacob do
Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho, e uma vinheta a capela dela
interpretando Chão de estrelas, introduzindo Consolação,
também da dupla Baden e Vinícius. Já o CD "Ary
Amoroso" traz arranjos de Gilson Peranzzetta e Maurício
Carrilho. Revelando o pandeiro do craque Marcos Suzano, entre
outros bambas, o CD começa com Inquietação. Depois vem Faixa
de cetim composta com Na batucada da vida, na mesma
faixa, de Ary e Luiz Peixoto. É impressionante como a voz de
Elizeth continua firme e grande, mesmo com ela já brigando com um
câncer que havia sido diagnosticado em 1987. A gravação deste CD
aconteceu entre os meses de outubro e novembro de 1989, ela
faleceria em maio do ano seguinte, portanto, seis meses depois. O CD
"Ary Amoroso", como o próprio nome diz, privilegia as
canções românticas de Ary. Daí estão lá Folha morta, Trapo
de gente, Ocultei, Tu, Pra machucar meu
coração, Por causa desta cabôca, No rancho fundo,
Caco velho e As três lágrimas. Como bem disse Chico
Buarque: "Elizeth é nossa cantora mais amada. Voz de mãe,
mãe de todas as cantoras do Brasil". Salve divindade!
Lançamento Biscoito Fino. www.biscoitofino.com.br
(Sérgio
Fogaça)
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